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Compreender o cancro do pulmão ROS1: O que é?

Para se envolver e apoiar eficazmente uma causa, é essencial compreender os seus desafios. Associa-se com demasiada frequência, erradamente, o cancro do pulmão apenas ao tabagismo. A realidade dos nossos doentes é radicalmente diferente e exige quebrar as ideias preconcebidas.

Zero comportamentos de risco: Uma doença injusta e fortuita

É fundamental dizê-lo: os doentes afetados pela mutação ROS1 não tiveram qualquer comportamento que os colocasse em perigo. Este cancro não resulta nem do tabagismo, nem do álcool, nem de um estilo de vida inadequado. Trata-se de um puro acidente molecular, imprevisível e totalmente independente da vontade ou dos hábitos do doente. Eliminar este peso da culpa social é o nosso primeiro combate.

1. O cancro do pulmão de células não pequenas

O cancro do pulmão divide-se em duas grandes famílias. A mais frequente (que representa cerca de 85% dos casos) é chamada cancro do pulmão de células não pequenas (CPCNP). Hoje em dia, a medicina já não se contenta com este diagnóstico geral: analisa o «bilhete de identidade genético» do tumor para identificar precisamente o que o faz crescer.

2. A mutação ou «fusão» ROS1: Um interruptor louco

Em cerca de 1 a 2% das pessoas afetadas por este cancro, a causa é uma anomalia genética bem precisa: a fusão do gene ROS1.

  • O mecanismo: Concretamente, um pedaço do gene ROS1 desprende-se e funde-se de forma anómala com outro gene vizinho. Esta anomalia cria uma proteína modificada que age como um interruptor encravado na posição «ON». Este interruptor louco envia um sinal permanente e descontrolado às células, ordenando-lhes que se multipliquem sem fim, o que dá origem ao tumor.

 

  • O perfil dos doentes: Este cancro distingue-se por um perfil muito específico. Afeta maioritariamente não fumadores, pessoas com uma excelente higiene de vida e, frequentemente, adultos jovens, muitas vezes por volta dos 40 anos (ou até mesmo muito menos).

3. A revolução das terapêuticas-alvo: Efeitos secundários geríveis

Como este cancro está associado a uma anomalia genética precisa, não é tratado com a quimioterapia tradicional, mas sim através da medicina de precisão.

Os doentes recebem terapêuticas-alvo (comprimidos para tomar em casa). Ao contrário das quimioterapias agressivas, estes tratamentos não atacam a totalidade das células do corpo. Se existirem efeitos secundários (fadiga, variações de peso ou perturbações ligeiras), estes são geríveis, reversíveis e bem controlados pelas equipas médicas, graças a cuidados de suporte ou a ajustes de dose. Isto permite aos doentes manter uma boa qualidade de vida, continuar a viver normalmente e partilhar momentos preciosos com os seus entes queridos.

O cancro do pulmão ROS1 em números

O cancro do pulmão é um dos cancros mais frequentes, mas a realidade da mutação ROS1 permanece pouco conhecida:

No mundo: Contam-se cerca de 2,5 milhões de novos casos de cancro do pulmão todos os anos. Entre estes, a mutação ROS1 afeta cerca de 20 000 a 40 000 doentes por ano.

 

Em Portugal: Dos cerca de 6 000 novos casos de cancro do pulmão diagnosticados anualmente, a especificidade ROS1 afeta cerca de 60 a 120 novos doentes a cada ano.

 

Um diagnóstico frequentemente tardio: Como o cancro do pulmão se desenvolve durante muito tempo sem provocar dor nem sintomas de alerta, perto de 75% dos casos são diagnosticados diretamente num estádio avançado (Estádio 3 ou Estádio 4). É isto que torna a descoberta da doença tão brutal e o acesso rápido às terapêuticas-alvo tão crucial.

Os grandes desafios: Porque é que a investigação precisa de si?

Graças às moléculas de nova geração resultantes da investigação clínica recente, a esperança de vida dos doentes foi espetacularmente transformada. No entanto, o cancro é um adversário temível: com o tempo, as células tumorais aprendem por vezes a adaptar-se e a contornar o tratamento. É o que se chama mecanismos de resistência.

Para se anteciparem à doença, os investigadores devem estar um passo à frente. Necessitam de meios constantes para conceber e testar as terapêuticas-alvo de amanhã. Financiar a investigação é, de forma muito concreta, comprar tempo de vida para os doentes.

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